14/09/2017

'Dez mandamentos' contra o greening: medidas para controlar a praga

 

O uso de mudas certificadas no plantio, a erradicação de plantas contaminadas pelo greening e o controle do psilídeo, inseto transmissor da praga, compõem o tripé básico para o manejo nos pomares brasileiros. No entanto, outras recomendações aumentam a eficiência das ações:

 

1- Planejamento do plantio e da renovação do pomar: regiões com alta incidência de greening devem ser evitadas para iniciar um novo pomar. Recomenda-se evitar plantios recortados e estreitos para diminuir a área de borda, local do pomar mais sujeito às infestações por psilídeos vindos de outros pomares. A renovação deve ocorrer em blocos contínuos, evitando ainda o plantio de talhões novos ao lado de velhos e contaminados.

 

2- Aquisição de mudas sadias: as mudas devem ser produzidas em viveiros certificados, protegidos com telas anti-afídicas e cadastrados na Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) do Estado de São Paulo.

 

3- Aceleração do crescimento e antecipação da produtividade da planta: o objetivo é evitar que a planta seja contaminada pelo greening em sua fase mais suscetível, durante os quatro primeiros anos após o plantio.

 

4- Inspeção frequente de todas as plantas do pomar: as inspeções devem começar a partir do segundo ano da implantação do pomar. É recomendado realizar, no mínimo, seis inspeções em todas as plantas durante o ano, principalmente entre fevereiro e agosto, quando os sintomas do greening são mais visíveis.

 

5- Erradicação das plantas doentes: todas as plantas com greening devem ser eliminadas, independente de idade e severidade dos sintomas. Antes da erradicação, recomenda-se a pulverização das plantas doentes para evitar a dispersão de insetos contaminados para árvores sadias.

 

6- Monitoramento do psilídeo: identificar a presença do inseto é fundamental para saber o momento e locais mais adequados para realizar as pulverizações. O monitoramento deve ser feito com armadilhas adesivas amarelas instaladas nas plantas das bordas da propriedade e dos talhões.

 

ATENÇÃO: um dos produtos de maior eficácia disponível no mercado é o Colortrap da ISCA Tecnologias. Trata-se de uma armadilha (em painel ou lona) amarela usada para monitoramento de diversos insetos, inclusive para monitorar psilideo na citricultura. Além do vetor de HLB, o Colortrap é recomendada para monitoramento de população de mosca branca, pulgão, cigarrinha, vaquinha e diversos outros insetos atraidos pela cor amarela.

Os insetos são atraídos pela cor amarela e ao pousarem ficam grudados na cola tato permanente. As capturas em grande quantidade ajudam no controle de populações destes insetos, diminuindo o número de indivíduos, além disso, a armadilha forma uma barreira para dificultar a entrada dos insetos quando instaladas nas laterais do cultivo.

 

 

7- Controle do psilídeo pela aplicação de inseticida sistêmico

 

8- Cuidado especial das bordas: cerca de 80% dos psilídeos e das plantas infectadas encontram-se nos primeiros 100 a 200 metros da divisa da propriedade, a chamada faixa de borda. Isso ocorre porque quando o inseto voa de um pomar para outro, ele pousa nas primeiras plantas de citros com brotação que encontra. Portanto, as recomendações são:

 

  • Plantio mais adensado na faixa de borda
  • Aplicação de inseticidas na faixa de borda com mais frequência do que na área central
  • Replantio frequente da faixa de borda após erradicações, evitando que as aberturas facilitem a penetração do psilídeo

 

9- Participação no manejo regional: o combate em larga escala ao greening, coordenado e simultâneo, realizado por produtores de uma mesma região, impede que o inseto migre de uma propriedade para outra durante a pulverização.

 

10- Atuação conjunta com os vizinhos: nem todas as plantas de citros ou murta recebem os cuidados necessários para evitar a disseminação do greening, principalmente aquelas em pomares orgânicos ou abandonados, chácaras e quintais. Então, algumas ações devem ser estendidas às áreas adjacentes às propriedades:

 

Eliminação de plantas de citros com sintomas de greening e murtas na vizinhança. A ação pode ser negociada com os vizinhos com a proposta de troca por mudas de outras frutíferas;

Aplicação de inseticida em plantas de citros e murtas localizadas em quintais ou pomares vizinhos, onde não for possível a eliminação, quando o psilídeo for detectado visualmente nas armadilhas adesivas amarelas;

Liberação de Tamarixia radiata, inseto que é inimigo natural do psilídeo, em áreas urbanas, quintais, pomares abandonados ou orgânicos onde não há aplicação de inseticidas.

 

Fonte: Fundecitrus, com informações Isca Tecnologias