UTILIZAÇÃO DE FEROMÔNIO NA AGRICULTURA
UTILIZAÇÃO DE FEROMÔNIO NA AGRICULTURA
O controle de pragas exclusivamente com agrotóxicos, afeta no estabelecimento e no desenvolvimento de inimigos naturais, reduz a diversidade biológica, desencadeia o aparecimento de novas pragas e a ressurgência de pragas consideradas secundárias. Muitos produtores realizam um número excessivo de pulverizações em caráter preventivo, sem considerar nenhum critério da ocorrência da praga ou condições ambientais favoráveis a esta. Além de aumentar os custos de produção, essa prática pode trazer sérios riscos de resíduos no produto colhido e problemas de intoxicação das pessoas envolvidas na aplicação. Para evitar estes problemas, outros métodos de controle devem ser adotados, entre estes vem ganhando destaque o feromônio sexual. Feromônios sexuais são substâncias químicas utilizadas por machos e fêmeas durante o acasalamento. Na agricultura, estas substâncias podem ser utilizadas no monitoramento ou no controle propriamente dito. No monitoramento são utilizados em armadilhas, na forma de cápsulas difusoras de feromônio sexual sintético, específico para cada inseto-praga. O feromônio também pode ser utilizado no controle de pragas, sendo indispensável no manejo integrado e no controle de insetos com resistência a inseticidas. No Brasil, vários métodos e formulações de feromônio já foram testados, sendo que os mais adotados são a confusão sexual de machos (“mating disruption”) e o atrai e mata (“attract and kill”). Nestes casos, o feromônio pode ser aplicado via liberadores, em forma de pasta ou em formulações próprias para pulverização (micro-encapsulado). Em várias culturas o feromônio sexual vem sendo adotado com sucesso, como na macieira, pereira, pessegueiro, citros, algodoeiro, tomateiro, entre outras. Devido à exigência dos consumidores por produtos sem resíduos e mais saudáveis, há uma tendência de diminuição do número de aplicações e de inseticidas disponíveis no mercado, desta maneira é provável que o uso de feromônios seja cada vez mais aceito e adotado pelos produtores.
Janaína Pereira dos Santos
Eng. Agr., M.Sc., Epagri/Estação Experimental de Caçador, C.P. 591, 89500-000 Caçador, SC, fone: (49) 3561 2035, e-mail: janapereira@epagri.rct-sc.br
Publicado na: Revista Agropecuária Catarinense, Florianópolis, v. 20, p. 10 - 10, 01 mar. 2007.